Texto 1

Texto 1

Tá bom, entao vamos falar de política sem falar em candidato. Você tem a sua preferência e eu tenho a minha.
Talvez tenhamos a mesma opinião, mas talvez elas sejam extremamente opostas.
O que eu penso e desejo para o país, meu Estado e minha cidade talvez nao seja a mesma forma que voce idealiza.
Tudo bem, mas é consenso inequívoco entre nós que o azeite português é o melhor azeite do mundo. Podemos discordar sobre vinho, mas sobre azeite nunca.

Pois bem. Quem faz o consagrado azeite português?
Obviamente algum português, mas qual português?
Já respondo: aquele português nativo, já alcançado pela idade, que certamente herdou os conhecimentos e os estimaveis segredos de seus antepassados.

E quem os fará agora? Ninguém. Os filhos e netos foram pra Lisboa e o mundo, deixando para trás o olivais segredos das aldeias. Foram em busca de crescimento profissional e melhores condições de vida de modo a decretar o fim do azeite.
A receita artesanal se perderá no tempo e não haverá mais azeite de qualidade. A tradição morrerá em breve.

A mesma sorte está reservada aos professores brasileiros, ou seja, – a morte. Com a mesma e legítima motivação dos jovens portugueses que deixam as aldeias em busca de crescimento, os jovens brasileiros não querem ser professores.
Nada estimula os jovens portugueses a permanecerem nas aldeias e perpetuarem o seu ofício – antes de navegarem, os portugueses já faziam azeite – assim como nada estimula os jovens brasileiros a exercerem o magistério. Preferem medicina, direito ou engenharia.

Não há incentivo do Estado para a formação de novos professores. O Estado educacional brasileiro é uma aldeia sem azeite.
Concordamos, então, assim como o azeite português é o melhor azeite do mundo, que o investimento em educação é necessário. Comecemos então por valorizar a profissão estimulando o constante aperfeiçoamento dentro da rede e, principalmente, salário, pois nossos mestres também precisam comprar azeite.

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