Texto 3

Texto 3

Na recém instalada Comarca de São Teotônio, Portugal, desembarcou Dr Liturgo, juiz já em final de carreira designado para assumir a Vara Única local. Homem de pouca fé, trazia sob sua pena a amargura do tempo e as tristezas de sua vida infeliz.
Revoltado com o sistema e com os aborrecimentos que lhe causavam o velhaco da cidade, senhor Lero Liso Pontes, estava decidido a impor uma condenação exemplar, inocente ou culpado, iria condenar aquele homem. No dia do julgamento, após os debates de acusação e defesa, chamou o réu ao lado e confessou seu intento: “hoje vou lhe condenar companheiro e farei isso mesmo sabendo de sua comprovada inocência”.

O juiz anunciou que o veredicto seria dado pelo júri e iria entregar dois papelotes fechados, um escrito inocente e outro culpado. Assim o fez, mas anotou culpado em ambos os papelotes, de modo a não dar chance ao miserável. Quando o júri já estava pronto para o veredicto, o velhaco passou a mão sobre a mesa e pegou o papelote escolhido para sua sentença levando-o a boca em intensa mastigação. Ao terminar o seu desjejum, disse ao juiz: Dr Liturgo, minha sorte está lançada, peça para o júri abrir o outro papelote que o povo saberá qual foi a sua decisão.

Senhor Lero Liso foi inocentado e Dr Liturgo aposentado com o maior revés de sua vida pública. Havia imoralidade tanto na conduta do juiz como na do réu, mas prevaleceu o justo resultado. Sobre moralidade, o Juiz Bretas foi crucificado pela imprensa por requerer auxílio moradia mesmo sendo proprietário de imóvel na Comarca.

Ele e sua esposa, que também é juíza, recebem o benefício duplamente.
Errado?
Certo?
Imoral?

De todos os adjetivos sabemos no entanto que é legal. Benefício amparado em lei é confirmado, até o momento, por decisão judicial. Ao ser questionado respondeu o juiz Bretas ter o costume de sempre lutar por seus direitos, se necessário, na Justiça. Certo ou errado, imoral, talvez, penso que o Dr Bretas nos deu uma lição de cidadania: É preciso lutar pelos nossos direitos, sempre.

Não nos conformemos com a minima afronta. Sobre Bretas, penso que o ataque deva se voltar contra o legislador e não contra aquele que usufrui dos benefícios legalmente.

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