A transformação dos noivos e o Divórcio

A transformação dos noivos e o Divórcio

Toda pessoa que idealiza um bom casamento, aquele dos sonhos, retratados nos melhores filmes e novelas, idealizam casar com o noivo ou com a noiva. Ninguém deseja casar ou continuar casado com o marido ou esposa, a não ser que eles continuem sendo noivos ou noivas. Mas o que são maridos e esposas? diriam os nubentes. Marido e esposa são palavras desconhecidas no dicionário de namorados e noivos. No início do relacionamento e até o momento do casamento, o casal só se conhecem como solteiros. E ai é tudo lindo, cada um no seu espaço, cada um com suas manias e cada um com o seu um. Aqui é onde tudo acontece, tudo de bom acontece. O noivo é o amante perfeito, infalível, o que entrega flores, que abre a porta do carro, que cede ao primeiro gole, que impõe o escudo. Tudo de ruim e imprevisível se torna bom e desejado. A noiva, por seu turno, é toda ela beleza e perfeição. Assim, quando os namorados fazem votos de união, surgem as figuras do noivos e da noivas. Estes, entretanto, são personagens de vida curta, pois logo seguem a sina de se transformarem em maridos e esposas. É a metamorfose social consumada pela alteração do estado civil da qual decorrem várias consequências jurídicas. Ocorre que ninguém permanece casado com o noivo ou com a noiva. Diferentemente da lagarta, cuja magnífica metamorfose natural a transforma em borboleta, o noivo e a noiva invertem o ciclo e voltam ao casulo, do mais para o menos. E por que isso acontece? Ora, por vários e incontáveis motivos e pelas mais intimas e inimagináveis razões. Cada situação desagradável tem seu lar, seu jeito e sua dose. O que pode ser de mais para um nem toca o outro. Cada casal com sua mania e o molde de um certamente não serve para o outro. Uma das soluções possíveis, já que estamos falando sobre transformação é não idealizar o seu cônjuge como noivo, mas como parceiro, cúmplice de suas derrotas e vibrante de seus sucessos. E como isso é possível? Com respeito. Respeito é substantivo que não tem grau. Não existe pouco ou muito respeito, sua dose é única. O que existe é respeito, somente ele, simplesmente respeito. Respeito de velho e respeito de novo, respeito de namorado e respeito de noivo, respeito de marido e respeito de esposa. Ele cabe em qualquer lugar. Esse é o segredo para que marido e esposa vivam como noivos. Todavia, quando ele resolve desaparecer da vida do casal, não temos alternativa senão invocar a próxima transformação: o divórcio. Pronto. Este é o momento, não o único, mas certamente o recomendável. Quando se vai o respeito, o casamento já se foi a tempos. Em verdade, se cogitamos em divórcio, é bem provável que os laços de união, afeto e carinho já tenham se rompido. A decisão do divórcio, regra geral, não se dá por um único ato de qualquer as partes, mas por um conjunto delas, um amontado de goles que vão enchendo o copo; são condutas de um fazer constante ou de um não fazer frequente que impõe a insuportabilidade da vida em comum. Descobre-se que o amor era apenas paixão e o afeto vai diminuindo em gotejamento, do mais para o menos. Necessário tratar o divórcio apenas como uma ferramenta de formalização do fim, do que já não mais existe na vida do casal. O encerramento deste ciclo não deve ser considerado um pesadelo e pode muito bem ser realizado de forma serena e tranquila. A litigiosidade não é requisito do divórcio, talvez ela seja necessária, mas não obrigatória. Nesse ponto, a ajuda de um bom profissional pode ser a fronteira entre a paz e a tormenta na transição desta etapa. O divórcio pode ser realizado de forma extrajudicial ou judicial e questões sobre partilha de bens, pensão alimentícia, guarda de filhos e regime de visitas são as mais comuns, mas ainda há várias situações que permeiam a dissolução da sociedade conjugal que somente um bom profissional pode prever e orientar, notadamente em relação a consequências tributárias na partilha de bens e, bem como, medidas acautelatórias e protetivas que devem ser tomadas de forma liminar e urgente a exemplo da separação de corpos, sequestro de bens, suspensão de atos de disposição de ações, bens e direitos que geralmente são tomadas pelo cônjuge que tem o controle da sociedade conjugal. Por isso é sempre aconselhável a orientação de profissionais para análise, cabimento e oportunidade para propor tais medidas.

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